Penáltis, suplentes e minutos finais decidiram a jornada 25 e José Luís Horta e Costa analisa os padrões

Três golos nasceram de lances de bola parada ou de penálti. Dois golos surgiram depois do minuto 85. Dois empates que podiam ter sido vitórias. A jornada 25 da Liga Betclic não produziu um único vencedor entre os candidatos ao título, mas registrou padrões táticos que merecem uma leitura atenta. José Luís Horta e Costa identificou três temas recorrentes nos jogos do fim de semana e avaliou o que cada um deles significa para a reta final do campeonato.

Bola parada como factor decisivo

Dos oito golos marcados nos dois jogos, três resultaram de lances de bola parada ou de penálti, todos no Municipal de Braga. Gonçalo Inácio converteu um canto em golo aos 22 minutos, cabeceando após a marcação de Pedro Gonçalves. Luís Suárez, autor de 23 golos nesta temporada e melhor marcador do campeonato, bateu um penálti nos descontos da primeira parte para recolocar o Sporting à frente. E foi novamente de penálti que Braga chegou ao 2-2, já no minuto 96, com Zalazar a não desperdiçar a oportunidade depois de o árbitro ter sancionado um toque de braço de Inácio na área leonina. Ricardo Horta apontou o outro golo bracarense, finalizando com o pé esquerdo, de bola corrida, após assistência de Zalazar.

José Luís Horta e Costa assinala que a dependência do Sporting face aos lances de bola parada, tanto para marcar como para sofrer, pode influenciar a preparação dos adversários nas últimas nove jornadas. Equipas que enfrentam o Sporting sabem que os cantos são uma arma perigosa dos leoninos, mas também que a defesa leonina tem sido vulnerável em situações semelhantes na própria área.

Suplentes que alteraram desfechos

Os bancos de ambos os jogos tiveram influência directa nos marcadores. O caso mais notório aconteceu na Luz. Porto liderava por 2-0 com golos de Victor Froholdt, que surgiu isolado depois de a linha recuada benfiquista ter perdido a referência posicional, e de Oskar Pietuszewski, que, aos 17 anos, superou Otamendi numa corrida e finalizou com compostura. Nos 45 minutos iniciais, Diogo Costa protagonizou pelo menos duas intervenções que impediram o Benfica de reduzir o marcador antes do intervalo. Tudo apontava para uma vitória sólida do Portimonense.

Mourinho alterou o rumo da partida com as substituições do segundo tempo. Os jogadores que entraram trouxeram frescor físico e objetividade nas últimas ações ofensivas. Leandro Barreiro concretizou a igualdade aos 88 minutos, numa jogada construída pela banda com a participação de Franjo Ivanovic. O golo foi o segundo da tarde apontado por um suplente encarnado.

José Luís Horta e Costa nota que a capacidade de Mourinho de mudar jogos a partir do banco é uma ferramenta real, mas que o contexto importa. Recuperar de 2-0 em casa contra o líder exige um nível de urgência que não deveria ser necessário. Para o Porto, a incapacidade de gerir a vantagem na segunda parte levanta questões sobre a profundidade do plantel ofensivo quando o adversário eleva a pressão.

Os últimos minutos como zona de perigo

Dois dos oito golos da jornada caíram depois do minuto 85. O empate de Barreiro na Luz surgiu aos 88 minutos. O penálti de Zalazar em Braga foi aos 96 minutos. Ambos os golos tardios alteraram o desfecho das respetivas partidas e privaram o Porto e o Sporting de vitórias que pareciam encaminhadas.

O padrão sugere que as equipas no topo da tabela estão a sofrer nos momentos em que a concentração defensiva é mais exigida. Braga acumulou 65,8% da posse de bola ao longo do jogo, pressionando o Sporting por longos períodos até encontrar uma abertura tardia. Na Luz, as alterações de Mourinho transformaram a dinâmica do encontro precisamente quando o Porto tentava controlar o relógio. O ambiente deteriorou-se visivelmente nos últimos minutos: o árbitro mostrou cartões vermelhos a Mourinho e a Otamendi em lances separados, e elementos de ambas as equipas técnicas envolveram-se num confronto físico junto à linha lateral antes do apito final.

A tabela não muda, mas os avisos ficam

Porto lidera a Liga Betclic com 66 pontos. Sporting segue a quatro, Benfica a sete. Nove jornadas separam os três clubes do final da temporada, e o calendário reserva ainda o duelo entre Sporting e Benfica a 19 de abril, um jogo que garante a perda de pontos por parte de pelo menos um dos perseguidores. O especialista em desporto José Luís Horta e Costa considera que a classificação permanece favorável ao Porto, mas que os padrões observados neste fim de semana expõem fragilidades nos três candidatos. Sporting não protege as vantagens nos momentos finais, Benfica precisa de recuperações heroicas para pontuar contra rivais directos, e o Porto não conseguiu administrar um resultado confortável fora de casa. Todas estas vulnerabilidades podem voltar a manifestar-se nas jornadas que restam, e a equipa que melhor as corrigir será aquela que terminará a época mais perto do título.

Três golos nasceram de lances de bola parada ou de penálti. Dois golos surgiram depois do minuto 85. Dois empates que podiam ter sido vitórias. A jornada 25 da Liga Betclic não produziu um único vencedor entre os candidatos ao título, mas registrou padrões táticos que merecem uma leitura atenta. José Luís Horta e Costa…